Blondie. Os Blondie tocaram hoje no Alive, não tive o prazer de os ver/ouvir porque não me quis dar ao trabalho de desembolsar uma nota para o bilhete. Só nos devemos arrepender do que não fizemos, então estou muito arrependida. Para me sentir melhor, nada de devaneios, nada de choraminguices, viva a muito carismática e única Debbie Harry. Vivam os Blondie. Forever.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
The Temper Trap ou descrever o indescritível
Australianos cujo álbum de estreia foi lançado em 2009: Conditions. Escutei-o do início ao fim, com curiosidade ao início, e depois, com vontade, com cada vez mais vontade, até estar confortavelmente instalada no sofá sonoro acolhedor que estes artistas desenharam. Modestos e intensos, os Temper Trap oferecem uma sonoridade que se espraia pelo ambiente como fumo numa sala. As melodias vagueiam, voam mesmo. Elevam-nos. Fazem-nos cerrar os olhos, dissolvendo a nossa consciência num estado indescritível. Ouçam estes senhores, talvez consigam descrever o indescritível. Eu vagueio.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Best Coast
Evoca aqueles momentos envoltos num misto de dormência e sobreexposição solar, evoca uma festa em casa de alguém, ao anoitecer, com um odor a praia suada e a areia espalhada pelo chão de casa. Evoca-me a mim, mas que este álbum de estreia dos Best Coast cheira a praia, cheira. A voz não me agrada, podia ser menos naive, menos nasal, mas é o que é, e é isto. Lembra-me Sons and Daughters e um pouco de Raveonettes, nas guitarras. Uns Beach Boys revisitados, mas assim vou à pesca de algo antigo, mas novo para mim. Procuram-se sonoridades novas, mas não tão experimentais que nos façam enfiar a cabeça no sofá.
Mas obrigada Best Coast por este single:
Mas obrigada Best Coast por este single:
quinta-feira, 21 de abril de 2011
What did you expect from the vaccines?
A primeira faixa que ouvi foi "Post Break-Up Sex". Confesso que me veio à cabeça sons como The Strokes, talvez devido ao cheirinho a garage rock. Mas depois de ouvir o álbum todo, verifiquei semelhanças com sonoridades como Jesus & The Mary Chain e Echo and The Bunnymen. O british accent também ajudou. Claro que soa a revivalismo, mas descolado do original, o que sabe sempre bem ouvir, mas ponho-me a pensar como seria ouvir isto antes de ter ouvido os predecessores. Gosto muito da voz dele, grave e alta, por vezes rasgada. Engraçado porque há pouco tempo ouvi Crystal Stilts e esta banda também tinha uma sonoridade descaradamente semelhante aos Jesus & The Mary Chain, com direito ao noise estático de fundo e tudo. Aguardo que evoluam para uma sonoridade mais individual e original, e que mantenham esta batida contagiante que eu tanto estimo. A faixa "Family Friend " destaca-se das restantes, partindo de um registo mais soft para depois estilhaçar-se em baterias e riffles de guitarra seguidas de uma pausa, renascendo do silêncio uma surpresa de piano e voz com que se despedem, deixando apenas um torpor.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Groupieness ou o efeito do Ego esponja
Gostamos de música, e acabamos por gostar de quem a faz, de quem a toca ou canta mais precisamente. Não acontece a todos, mas muitos começam a projectar a música naquele que a faz, ocorrendo aqui uma mescla intersubjectiva de emoções. "Aquela canção é tão bela, a Laurie Anderson também o é, e está a cantá-la, e eu gostava de possuir a música/ a Laurie." Não sei muito de psicologia, mas parece-me ser aqui que se desenvolve a raiz do fenómeno groupieness. O que faz um fâ de música atravessar a linha da intimidade emocional e sexual?
Quando procuramos a perfeição, em nós próprios ou nos outros, estamos à procura de uma ilusão do Ideal. O nosso Ego está á procura disto. A busca de um placebo psicoterapêutico incorporado na imagem de uma "estrela". Vai engordar o teu ego, claro, vai ser uma satisfação substitutiva com muito mais poder e magnetismo que qualquer outra que tenhas escolhido antes, porque é uma pessoa, um ser humano de carne e osso, através do qual, conscientemente ou não, vais absorver todo o poder que projectaste na imagem representativa dele/dela. Como se o acto sexual, o simples beijo que não é tão simples assim, fosse uma forma de seres eternamente belo, imortal e poderoso, adjectivos frequentemente atribuídos aos músicos de Rock. Mas aqui surgem problemas de cariz psicológico: não é saudável para ninguém valorizar-se continuamente através da aceitação por parte de alguém a quem foi atribuído um falso poder com base em ilusões. Porque tudo é subjectivo. Lá está aquele tipo tão cool, que tem uma voz agradável, que toca bem ou mal, que se tornou um ícone de tudo o que não conseguiste ou não consegues atingir, mas sob essa representação está um homem comum, com medos, ansiedades, família, história, defeitos, virtudes, que no momento do sexo pode muito bem desapontar-te tanto que te irias surpreender, que não é perfeiro, que comete erros,que pode não ser tão simpático e cool como idealizaste, que é como tu. Humano. Uma mente embuída num corpo. E depois do teu ego absorver todo esse poder ilusório, vem o vazio. Um vazio que supera em muito a excitação proveniente de teres fodido uma " rock star", o que lhe queiras chamar. Escrevo isto baseado numa experiência de uma fonte fidedigna.
Agora, uma estória pessoal que não ilustra esta questão tão bem como eu gostaria, mas partilho-a . Quando os Violent Femmes vieram a Portugal nos anos 90, eu não tinha dinheiro para o concerto e fui até uma loja de discos passear, quando vejo um papel pregado na parede que me informava que os senhores iam estar nesse dia, àquela mesma hora, a dar autógrafos. Menos de um minuto depois, dei de caras com eles. Estavam lá todos menos o vocalista Gordon Gano, quem eu gostaria mais de conhecer. Então conversei com eles, nada de mais, " you're my favourite band you Know, I really love your lyrics, blah blah blah..."
Nisto, o baterista deu-me um passe para ir ter com eles a uma festa na suite de um hotel qualquer que decorreria após o concerto. Disse-me para aparecer. Na altura eu aparentava ter uns 16 anos, duvido que o convite fosse apenas para conversar. A questão é que nunca cheguei a aparecer. Achava-os tão fantásticos que fiz uma série de filmes na minha jovem mente, e tinha receio do que pudesse acontecer, do que eu pudesse fazer,adicionado ao facto de na data ter um namorado,"impedimento" que hoje me soa algo engraçado. Ora na altura eles tinham o triplo da minha idade, o vocalista era gay, factor que na altura eu desconhecia, e deviam estar cansados depois de um concerto. Nada iria correr como eu idealizara. Mas arrependo-me. Hoje posso dizer que gostaria muito de ter ao menos tentado falar com eles. Continuam a ser a minha banda "preferida".
Quando procuramos a perfeição, em nós próprios ou nos outros, estamos à procura de uma ilusão do Ideal. O nosso Ego está á procura disto. A busca de um placebo psicoterapêutico incorporado na imagem de uma "estrela". Vai engordar o teu ego, claro, vai ser uma satisfação substitutiva com muito mais poder e magnetismo que qualquer outra que tenhas escolhido antes, porque é uma pessoa, um ser humano de carne e osso, através do qual, conscientemente ou não, vais absorver todo o poder que projectaste na imagem representativa dele/dela. Como se o acto sexual, o simples beijo que não é tão simples assim, fosse uma forma de seres eternamente belo, imortal e poderoso, adjectivos frequentemente atribuídos aos músicos de Rock. Mas aqui surgem problemas de cariz psicológico: não é saudável para ninguém valorizar-se continuamente através da aceitação por parte de alguém a quem foi atribuído um falso poder com base em ilusões. Porque tudo é subjectivo. Lá está aquele tipo tão cool, que tem uma voz agradável, que toca bem ou mal, que se tornou um ícone de tudo o que não conseguiste ou não consegues atingir, mas sob essa representação está um homem comum, com medos, ansiedades, família, história, defeitos, virtudes, que no momento do sexo pode muito bem desapontar-te tanto que te irias surpreender, que não é perfeiro, que comete erros,que pode não ser tão simpático e cool como idealizaste, que é como tu. Humano. Uma mente embuída num corpo. E depois do teu ego absorver todo esse poder ilusório, vem o vazio. Um vazio que supera em muito a excitação proveniente de teres fodido uma " rock star", o que lhe queiras chamar. Escrevo isto baseado numa experiência de uma fonte fidedigna.
Agora, uma estória pessoal que não ilustra esta questão tão bem como eu gostaria, mas partilho-a . Quando os Violent Femmes vieram a Portugal nos anos 90, eu não tinha dinheiro para o concerto e fui até uma loja de discos passear, quando vejo um papel pregado na parede que me informava que os senhores iam estar nesse dia, àquela mesma hora, a dar autógrafos. Menos de um minuto depois, dei de caras com eles. Estavam lá todos menos o vocalista Gordon Gano, quem eu gostaria mais de conhecer. Então conversei com eles, nada de mais, " you're my favourite band you Know, I really love your lyrics, blah blah blah..."
Nisto, o baterista deu-me um passe para ir ter com eles a uma festa na suite de um hotel qualquer que decorreria após o concerto. Disse-me para aparecer. Na altura eu aparentava ter uns 16 anos, duvido que o convite fosse apenas para conversar. A questão é que nunca cheguei a aparecer. Achava-os tão fantásticos que fiz uma série de filmes na minha jovem mente, e tinha receio do que pudesse acontecer, do que eu pudesse fazer,adicionado ao facto de na data ter um namorado,"impedimento" que hoje me soa algo engraçado. Ora na altura eles tinham o triplo da minha idade, o vocalista era gay, factor que na altura eu desconhecia, e deviam estar cansados depois de um concerto. Nada iria correr como eu idealizara. Mas arrependo-me. Hoje posso dizer que gostaria muito de ter ao menos tentado falar com eles. Continuam a ser a minha banda "preferida".
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Copacabana Club
Ergueram-se em 2007 em Curitiba, e tenho vergonha de só os ter descoberto agora. Não assinaram por nenhuma editora, suponho porque se o fizessem teriam de "trabalhar" o som e isso destitui-lo-ia da sua pureza original, que faz parte da receita. Mas isto é uma conjectura. Têm um EP com 4 faixas e dois remixes. Encontra-se mais algo para oferecer ao ouvido no myspace, mas não posso deixar de querer mais desta salada de electro rock e new wave, que é muito dançável, notando-se ao longo de cada faixa uma pitadinha de um algo que não sei caracterizar, de repente surge um instrumento que não estava ali, para logo desaparecer como se fosse um condimento volátil que enriquece a música com uma subtileza distinta. Não parem.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Gosto de ouvir a tua voz, Zooey.
She & Him, respectivamente Zooey Deschanel e M. Ward fabricam melodias. Ela empresta a voz doce de menina imbuída de sentir, ele empresta a guitarra que soa como se estivessem num quarto vazio, um quarto muito amplo e espaçoso. Folk Indie. Não me parece certo rotular bandas, pois não é assim tão simples e literal. Apesar de, neste caso, estar bem patente um registo sonoro característico, que não se desvia muito de si mesmo, mas esse si mesmo ensopado num ecletismo que permite ouvir todas as produções sem enjoar. Eles embalam-te, deixa a tua mente vaguear.
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