terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sensações

É inevitável que associemos algo, seja um sentimento, uma memória visual, táctil, gustativa e por aí diante a uma música. A Psicologia moderna explicou este fenómeno tão comum através do condicionamento clássico, segundo o qual, ao associar um estímulo a uma resposta, isto gera uma resposta condicionada que poderá ou não perdurar no tempo. O mecanismo é muito mais complexo, até mesmo porque não é apenas a sonoridade (neste exemplo) que intervém no processo, mas também o nosso estado de espírito quando a ouvimos, que nem sempre é necessariamente uma resposta à música per se.
A memória mais antiga que tenho em relação a uma música é do Let x=x da Laurie Anderson, do Álbum Big Science. Na altura tinha 5 anos e não fazia ideia do nome da música, nem da pessoa que a estava a cantar. Parecia-me mais uma estória feita de notas musicais que a Senhora Anderson me estava a contar. Porque quando somos putos pensamos que o mundo é nada mais do que aquilo que vemos, e que o centro do mundo somos nós. Então todos os dias antes do jantar agarrava no lp e não largava o meu pai enquanto ele não pusesse aquilo a tocar. Desde o início até ao fim da música, rodava em torno de mim mesma sem parar até começar a ficar muito tonta, ver tudo a girar à minha volta e, por fim, antes das notas finais parava e caía mesmo no chão porque simplesmente não me aguentava em pé. Era um ritual, é marado, mas era um ritual muito fixe.



* If you are the artist or represent the artist and want any songs removed, email me (raquelmariano@aeiou.pt) or leave a comment on the post and I will promptly delete it.

domingo, 20 de setembro de 2009

Diz que foi sem querer





Gostava de poder postar algo sobre uma nova banda portuguesa que não fosse uma cópia descarada de bandas preexistentes, mas não está a ser fácil. Ouvindo Os Pontos Negros, a entoação vocal, os riffs de guitarra remetem-nos para os primeiros trabalhos da banda The Strokes, experimentem ouvir o single The end has no end e depois conversamos. Diz-se que é natural, que é uma influência musical, mas uma coisa é inspiração numa banda, outra coisa é plágio e falta de imaginação. Chateia-me. Outra banda copy-paste, esta ainda mais descarada, são…Os Velhos. Outro dia a ouvir a Radar, descubro uma música da autoria dos mesmos, intitulada “ A Era Moderna”. Quem conheça minimamente o trabalho da banda nova-iorquina conhece o seu Ep de estreia “ The Modern Age”. Façam lá a tradução. E não ficam por aí. Se forem ao myspace dos meninos - http://www.myspace.com/osvelhos - oiçam por favor a porra da música e vejam se não é igual. Se isto não é plágio, então é uma coincidência fantástica.
Então…parem de copiar e inovem. Claro que todos os artistas têm de alguma forma de ter influências e referências, mas isto assim não pode ser.
Agora, olhem lá para a Câmera com um olhar perdido e ar de "tou-me-a-cagar-para -tudo".

sábado, 19 de setembro de 2009

Jay Brannan em Lisboa



A maioria conhece-o através do segundo filme no qual participou "Shortbus", onde brinca um pouco com a guitarra, integrando assim o single "Soda Shop" na Banda Sonora do mesmo. Descrevendo-se como aspirante a singer/songwriter, embora na sua evolução como músico me abstenha de o categorizar,tem usado a internet como meio de divulgação do seu trabalho.
Citando Brannan, "...the entertainment industry hates me, so i use the internet to do my own thing and they can all fuck off (they'll come back eventually anyway)...".
É de lhe tirar o chapéu o trabalho e persistência que teve ao vender as músicas no myspace e ao criar a sua própria editora ( Great Depression Records )através da qual lançou o seu terceiro álbum intitulado "In Living Cover". Agora em tournê, vai passar por Espanha e Portugal regressando seguidamente aos EUA para mais concertos.
Actua no Lux dia 24 de Setembro, os bilhetes são a 8 euros. Gostava era de saber como é que ele conseguiu estender a tournê até terreno Europeu, com as poucas condições que alegadamente tem. Bom trabalho, bons amigos, e se quisermos uma coisa fora do mainstream, o melhor mesmo é fazê-la sozinhos para evitarmos os muitos sapos e rãs que têm de ser engolidos para que muita ( e boa) música nasça.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Julian Casablancas a solo - Novo single editado










Dar-me-ia muito prazer anunciar a data de lançamento do quarto álbum da banda The Strokes, mas devido a este estar constantemente a ser adiado, apenas posso dizer que o primeiro álbum a solo - Phrazes for the Young - do vocalista dos mesmos tem a data prevista de lançamento para 19 de Outubro de 2009 no Reino Unido, 20 de Outubro nos EUA. Podemos ouvir no myspace - http://www.myspace.com/juliancasablancas - o primeiro single intitulado 11th Dimension. Se tentarmos dissociar a ligação ao registo musical dos The Strokes ( o que não é fácil nem me parece possível), se ouvirmos este som isoladamente, parece um registo mais pop, no qual predomina uma instrumentalidade que abafa a voz de Julian, e que roça a vulgaridade. Claro que é apenas uma amostra, mas para amostra, o vídeo musical de antestreia





contrasta radicalmente com o single. Ademais, Julian referiu que o objectivo do álbum seria " captar a essência da música moderna e, simultaneamente, obter todo o poder e seriedade da música clássica ou da música mais antiga, inspirando o público, inspiração essa que deveria ser a função da arte."

Tendo que apenas temos acesso a um single, ainda é cedo para podermos dizer que experienciámos integralmente este trabalho, mas este single não me deixou inspirada. Agora só me resta fechar a boca e esperar um mês.